“Nos encontramos há tempo suficiente pra eu dizer que te conheço bem. Sei dos seus hábitos, dos seus erros e que você detesta rotina, apesar de sentir mais segura tendo uma. Você é uma menina que quer parecer grande o tempo todo. Pros outros. Às vezes pra mim também, mas desiste logo no começo das tentativas e é apenas você.
Eu vi, de fora, cada passo em falso que você deu. Suportei suas traições, desde as pequenas, quando me prometia algo e depois fazia tudo completamente diferente; até as maiores, quando vi se entregar com paixão a tantas mulheres só para que pudesse afirmar seu ego – às vezes ferido. Paixão… este sentimento arrebatador que eu nunca tive certeza de que já sentiu por mim.
O que te move, minha pequena? Já te vi sonhar alto a ponto de quase tocar os raios do sol. E você triunfou, muitas vezes, me arrrancando lágrimas incontidas. E você também caiu, incontáveis vezes, escorregando em alguns vãos desta escada secreta chamada destino. Até hoje você não acredita verdadeiramente em destino. Diz acreditar, mas no fundo é só apego à ideia de que há um roteiro da vida. Se há? Bem, infelizmente não posso te dar a resposta.
Você acorda por quem? Se arruma pra quem? Se arrisca nessa selva cotidiana movida pelo quê? Não é pelo dinheiro. Não é só pela emoção de realizar algo importante, de se sentir importante pelo que faz. Quer aplausos? Reconhecimento? Amor? Os aplausos silenciam até um próximo ato. E um dia você vai se dar conta de que cada pecinha é importante nessa engrenagem que move o mundo, estejam elas mais próximas ou distantes dos holofotes. Amor… é tudo isso que você pode sentir agora, amanhã, ou quando você quiser.
Esta é a carta que eu não escrevi pra você. Escrevi pra mim. Aqui, o remetente e destinatário são a mesma pessoa, mas que neste momento precisavam se encontrar.”
Autora: Ma.
http://sapatomica.com/blog/2012/06/22/a-carta-que-eu-nao-escrevi-pra-voce/
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